Já lhe chamam Climategate e uma semana depois de ter rebentado, a polémica científica sobre a alegada manipulação de dados para exagerar o aquecimento global sobe de tom.
Hackers acederam, através de um servidor da Universidade de East Anglia (Reino Unido), a centenas de mails trocados entre conhecidos climatologistas britânicos e norte-americanos, onde aparentemente se discutem formas de manipular dados científicos para combater os argumentos dos cépticos e suportar a tese da origem humana do aquecimento global.
A Unidade de Investigação Climática da universidade foi “assaltada” a 19 de Dezembro pelos piratas informáticos, que conseguiram descarregar mais de mil mails e três mil outros documentos trocados entre cientistas de 1996 a 2009, publicando-os na Internet.
Este centro de investigação é considerado um dos melhores do Mundo na área do clima e os seus cientistas tiveram uma participação determinante no último relatório de avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU.
O relatório, publicado em 2007, tem servido de base científica às negociações climáticas que vão conduzir à assinatura de um tratado internacional que substitua o Protocolo de Quioto a partir de 2013.
A Cimeira de Copenhaga, que decorre de 7 a 18 de Dezembro, é uma etapa crucial neste processo, embora dele só irá resultar, na melhor das hipóteses, um acordo político, prevendo-se que seja necessário mais um ano, até à Cimeira do México em Dezembro de 2010, para se alcançar um tratado vinculativo (jurídico) semelhante a Quioto.
Entretanto, o senador norte-americano James Inhofe afirmou esta semana, em entrevista ao Washington Times, que vai exigir uma investigação na Comissão do Senado para o Ambiente e Obras Públicas sobre a actividade científica do IPCC e da ONU, a propósito do Climategate.
